Antigamente, a moda acompanhava apenas as estações do ano. O trajeto de uma roupa, desde o desenho do estilista até a vitrine da loja, era longo, caro e feito com muito cuidado. Porém, entre os anos 1980 e 1990, a indústria da moda decidiu mudar de cara. Algumas marcas na Europa e nos Estados Unidos resolveram acelerar as coisas. Elas começaram a produzir muito mais rápido e mais barato, levando suas fábricas para países mais pobres, onde podiam pagar quase nada para quem costurava. Nascia ali a fast fashion (moda rápida). O discurso oficial da indústria era lindo, queriam 'democratizar' o estilo, dando acesso às tendências do momento para todo mundo. Porém, a verdadeira lógica do capitalismo por trás disso era outra, criar uma máquina de vendas em massa. Para lucrar cada vez mais, as marcas transformaram a roupa em um produto frágil e passageiro, forçando o consumidor a comprar sem parar apenas para não se sentir de fora.
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O que começou como uma aceleração nas vitrines dos shoppings, no entanto, ganhou uma força assustadora com a internet. Se nos anos 2000 a moda já era rápida, a união das lojas online com o poder dos influenciadores digitais criou o que hoje chamamos de ultra fast fashion (moda ultrarrápida). O que levava semanas para ser feito passou a levar apenas dias. As lojas físicas de rua perderam espaço para aplicativos de celular superinteligentes, que sabem o que queremos comprar antes mesmo da gente pensar nisso.
Hoje, a vitrine está no bolso de cada jovem, aberta 24 horas por dia. E o influenciador atua como o grande vendedor dessa máquina, fazendo a gente sentir que a nossa roupa de ontem já está velha e “fora de moda” no hoje. Repetir roupa virou quase um pecado na era do Instagram e do TikTok.




