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Mas essa facilidade para comprar barato cobra um preço alto e escondido. Enquanto o visual postado nas redes sociais some na próxima rolagem de tela, o material físico do que consumimos continua existindo no mundo real. O tecido de plástico que brilhou no vídeo de hoje é o mesmo lixo que vai poluir e sufocar os aterros da cidade amanhã. Ao acompanhar o caminho desse "look do dia", desde o clique de compra até ir parar no lixo, esbarramos no maior problema da nossa geração, a nossa pressa por ganhar curtidas e estar na moda está destruindo a natureza e explorando pessoas de forma silenciosa.
Nesta reportagem, iremos mergulhar nos bastidores da fast fashion para entender como a construção da nossa identidade se tornou tão curta quanto às tendências das redes sociais, e como esse sistema está empurrando o meio ambiente e as relações de trabalho para um colapso sem volta.
Se antes a moda era ditada por estações anuais, hoje ela é atualizada por algoritmos semanais. Marina Carmello, especialista em Design de Moda e doutora em Ciências Sociais, aponta que essa aceleração sequestrou a subjetividade do consumidor.
"A roupa deixou de ser uma ferramenta de proteção ou expressão duradoura para se tornar um figurino de cena. Você compra para validar sua existência em um post e descarta porque a próxima tendência exige uma estética nova", explica a especialista.
Para Marina Carmello, a "Identidade Descartável" é o nome desse fenômeno onde o indivíduo tenta preencher vazios existenciais com volumes de plástico em forma de tecido, movido por uma lógica de pertencimento digital que ignora a materialidade do produto.




